poema

Ignorantes voluntários

Publicado em 26 de julho de 2018, por Jan Parellada
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Benditos os tempos de antanho
quando a ignorância provinha
da vontade alheia,
imposta
por tiranos, déspotas,
fanáticos e inquisidores.
Agora,
perdida a capacidade
de romancear
a dor, a renúncia,
o pecado e a guerra,
a humanidade optou
pela ignorância voluntária.
Não é preciso mais
nenhum esforço
para enganar outrem.
A própria vítima,
de bom grado,
faz questão
de ser iludida,
com truques
cada vez
mais baratos.
Tempos tristes estes,
em que se
exterminam
metáforas,
e sutilezas
dão lugar
a gritos.
Melancólico
o mundo,
renegado de
olhares ao vivo,
dispensado
de presença,
repleto
de elogios vagos,
e risos duvidosos.

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