crônica

Literatura em Tempo de Eleições

Publicado em 13 de agosto de 2018, por Jan Parellada
Compartilhar
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter

Em tempos de eleição, não sei se assusta-me mais a urna eleitoral ou a funerária. Numa sepulta-se o voto, na outra sepulta-se o país.

Imaginei um encontro entre alguns dos grandes escritores da língua portuguesa, que resultaria em algo mais ou menos assim:

Drummond – E agora eleitor?

Bandeira – Vou me embora pra Pasárgada. Lá existe o candidato dos sonhos na urna em que votarei.

Drummond – Pasárgada não há mais, a festa acabou.  Pegaram Pedro, pegaram Paulo, pegaram a esposa, pegaram a filha, pegaram toda a quadrilha.

Gonçalves Dias – Minha Terra tem políticos, nos quais se pode votar, eles ainda nem nasceram,  ainda não aprenderam a roubar.

Bilac – Sejamos positivos, é só uma questão de ordem e progresso!

Graciliano – Nas minhas memórias do cárcere, as urnas estão secas.

Machado – Nas minhas memórias póstumas, o candidato está morto.

Graciliano – Brás Cubas?!

Machado –  E Quincas Borba de vice.

Rosa – Os sertões por onde enveredais são grandes e promissores?

Pessoa – Os sertões são grandes, as almas são pequenas.

Compartilhar
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter

Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (0) in /home/janparellada/public_html/wp-includes/functions.php on line 3786