

Poetar parece
algo tão complexo,
na verdade
é instinto,
nada mais
do que reflexo.
Poetar histórias,
poetar memórias,
poetar os
meus momentos
de glória.
Na água
poetar um rio,
no frio
poetar montanhas,
no sonho
poetar belezas,
no poema
poetar façanhas.
Sozinho, ilhado,
chamo pelo poeta,
cujas palavras loucas,
ainda que poucas,
preenchem o vazio
d’alma incompleta.
Poetando me livro
de amarras invisíveis,
do sim e do não
da lógica cartesiana,
do peso inútil, da vida fútil ,
do solo raso, da mente plana.

