
Nem sempre acontece, mas a fama só deveria alcançar quem sabe lidar com ela. Não é preciso ser famoso para entender que ninguém está preparado para uma fama absurda, desproporcional à capacidade humana. Se você tem alguma dúvida sobre índices insanos de exposição, recomendo o documentário “AMY” (disponível no Netflix) , onde Amy Winehouse se expõe, e é exposta, a doses letais de publicidade.
O sofrimento da cantora e compositora salta aos olhos e comove aqueles capazes de compreender o que está se passando. O show business é indiferente à “Crônica da Tragédia Anunciada” de Amy. Ao longo do documentário, que se inicia com cenas da adolescência, transitando por personagens como: a mãe omissa, o pai ausente e o namorado oportunista, resta evidente que todos os que orbitavam ao redor da artista “ignoravam” a vulnerabilidade e a dor de um ser humano tão genial quanto imaturo. Ela precisava de alguém que a protegesse dela própria, mas ninguém se dispõe a abrir mão de cifras milionárias para salvar uma vida.
O literal “Fuck you Amy, we are profiting with your pain” se despe de qualquer decência e a meta dos que a rodeiam é colocá-la de pé no palco a qualquer custo, como se os holofotes da superexposição não a estivessem matando. Dissimulados, os que deveriam educá-la e protegê-la dos níveis tóxicos de fama, tentam fazer com que ela acredite que aquilo é o melhor para ela.
Vale a pena ouvir as canções de Amy Winehouse. Vale mais ainda conhecer a história da personagem , talentosa, perdida e melancólica, acuada pela celebridade crescente, corrosiva e , por fim, fulminante. Era só uma questão de tempo.

