
Os funcionários públicos e os aposentados tornaram-se os alvos preferenciais da mídia pela falência moral, política e financeira do Brasil. De um lado, constrói-se a imagem de um Estado hipertrofiado, corrupto e perdulário e do outro prega-se a eficiência inquestionável de um setor privado enxuto e ilibado.
Em mais essa polarização estúpida de ideias tupiniquins, o que menos interessa é a verdade. Mais do que razões, devem existir culpados.
Trabalhei em ambos os lados, inclusive como empresário, garanto que há virtudes e problemas tanto no setor público quanto na iniciativa privada.
O maior problema do Estado não é a corrupção, como pensa a maioria, e sim a burocracia mastodôntica. Ela consome inutilmente recursos públicos gigantescos, e se fosse reduzida à metade, a economia seria em escala inacreditável.
O grande obstáculo da iniciativa privada é a taxa de mortalidade de empresas, segundo pesquisa do IBGE, 341,6 mil baixaram as portas entre 2013 e 2016, pelas mais diversas causas.
No resumo da ópera, o Brasil ainda é um Estado pródigo em “criar dificuldades para vender facilidades” e a gestão dos negócios particulares também não alcançou o nível de excelência necessário para sobreviver à roda viva da economia do século 21.
A mídia renuncia ao seu principal papel nas democracias contemporâneas, quando toma partido, elege vilões e omite fatos, preferindo distorcer e confundir mais do que informar e esclarecer.

