poema

Amor a Sampa

Publicado em 26 de fevereiro de 2019, por Jan Parellada
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Amo a boemia
da metrópole
insone,
impaciente,
incansável,
que bebe trabalho
e respira fumaça.

Sampa multidão,
Sampa solidão,
amo as duas,
amo suas vias tortas,
abarrotadas,
seus olhares curtos,
instantâneos,
que se desviam
no espaço,
e se encontram
no silêncio.

Amo a cidade
ilimitada,
que não se sabe
onde começa,
quando finda,
a cidade plena,
atemporal,
dos dias
que não acabam,
das noites
que nunca terminam.

Amo a sua geografia
urbana,urgente,única,
de avenidas imensas,
monumentos insólitos,
de lugares secretos
de becos obscuros,
onde se vê de tudo,
exceto as estrelas.

Sampa multidão,
Sampa solidão,
amo ambas,
os seus altos e baixos,
os seus mercados persas,
indecifráveis,
onde carolas
compram absolvição
e ateus
vendem a alma.

Amo Sampa,
berço e cemitério
de sonhos,
prefácio e epílogo
de histórias,
Éden da loucura,
de todas as gentes,
de todos os gêneros.

Amo o perfume azedo
das suas marginais,
os aviões
se revezando
no céu,
os helicópteros
sobrevoando
a realidade.

Amo o seu perigo iminente,
a cena incompleta,
a paisagem caótica,
o seu ar denso,
de pensamentos,
poluição
e incuráveis
pesares.

No anonimato
do metrô,
à meia-noite,
me sinto
mais íntimo
de mim próprio.
entre suspense,
silêncios
e sustos,
me sinto em paz,
me sinto em casa.

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