poema

Ecce Homo

Publicado em 9 de junho de 2019, por Jan Parellada
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Quem é esse homem,

que anda ao meu lado,

imita a minha sombra

e vomita os meus pecados?

Quem é ele, esse homem

que cobre o meu rastro,

apaga minhas pegadas

e jura eterna inocência?

Quem é esse indivíduo sufocante,

porque não posso abandoná-lo,

esse ladrão de vontades,

esse ser impune,

que invade a alma

e estrangula o homem?

Quem é tal criatura,

homem de gestos tão prepotentes,

que se esgueira entre frestas

e escorrega pelos dedos ?

Moribundo, ferido, ausente,

deslumbrando,

olhos estalados,

inerte frente ao espelho,

definitivamente,

esse homem sou eu.

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