
Quem é esse homem,
que anda ao meu lado,
imita a minha sombra
e vomita os meus pecados?
Quem é ele, esse homem
que cobre o meu rastro,
apaga minhas pegadas
e jura eterna inocência?
Quem é esse indivíduo sufocante,
porque não posso abandoná-lo,
esse ladrão de vontades,
esse ser impune,
que invade a alma
e estrangula o homem?
Quem é tal criatura,
homem de gestos tão prepotentes,
que se esgueira entre frestas
e escorrega pelos dedos ?
Moribundo, ferido, ausente,
deslumbrando,
olhos estalados,
inerte frente ao espelho,
definitivamente,
esse homem sou eu.

