Do Alto do Sinai às Ruínas de Pompéia

Capítulo 6 – No “Muro das Lamentações” Sem Nada a Lamentar

Publicado em 7 de julho de 2019, por Jan Parellada
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Em Jerusalém homens e mulheres devem queixar-se em separado, ao menos no “Muro das Lamentações”, assim diz a tradição judaica.
Não sinto-me incomodado, nem tampouco vejo mulheres inconformadas com tal costume, no Muro o espaço destinado às orações de homens e mulheres é separado por uma espécie de biombo reservando dimensões equivalentes a ambos.
Curioso, aparentemente paradoxal, pensar que na mesma Israel , homens e mulheres sirvam juntos o exército, o treinamento dura no mínimo dois anos e é igual para todos. Nunca vi outro local com tantas mulheres uniformizadas, ostentando altas patentes militares.
Se há uma crença de que uniformes tornem homens mais atraentes, confesso que a recíproca também me parece verdadeira, tão imponentes, femininas, bem vestidas e maquiadas as mulheres fardadas de Israel.
Quem disse que é impossível combinar batons com coturnos?
Junto ao Muro são fartas as figuras clássicas do judaísmo ortodoxo, homens de ternos pretos, chapéu coco, tranças espiraladas escorrendo pelas têmporas e cordões pendurados na cintura, tudo, segundo eles, conforme os ditames do Antigo Testamento da Bíblia.
Não é obrigatório o uso da “quipá”(1) para aproximar-se do Muro e lá depositar em papel uma oração, um pensamento, um desejo no meu caso. Mas nesses momentos gosto de demonstrar respeito pelos países que visito. Sigo tudo da maneira mais fiel possível.
Em templos budistas sapatos ficam na entrada, nas mesquitas a mesma coisa, as impurezas do mundo secular não devem ser carregadas para o interior de território divino.
Nos lugares sagrados de Jerusalém, pode-se tomar emprestado uma “quipá” devolvendo-a na saída, gesto simples que a maioria dos visitantes adotam independente de serem judeus. Não há obrigação, somente respeito.
Ao contrário da Torre Eiffel e da Estátua da Liberdade, o Muro das Lamentações” é maior do que eu imaginava. Nele está embutido uma “biblioteca-templo” repleta de mesas e altares onde judeus estudam as suas escrituras.
Há pouca distância do local, encontra-se a “Cúpula da Rocha”, com o seu inconfundível domo dourado, não existe cartão postal de Jerusalém capaz de ignorar tão esplêndida arquitetura.
Lá teria sido o lugar de partida da “Al Miraaj” ,viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé , por isso, talvez, a “Cúpula da Rocha” é o mais emblemático templo da fé islâmica.
Estamos em pleno mês do Ramadã, quando os muçulmanos devem jejuar do nascer ao por do sol , da primeira à última oração do dia, que no total somam cinco. Depois de passar por Egito, Jordânia e Israel, creio que sei de cor os horários das preces islâmicas.
Ah, bendita Jerusalém, berço de três religiões, cristã, judaica e muçulmana, como és grandiosa, magnífica e imprevisível, feito a eterna Roma e a iluminada Paris. Aqui de tudo se vê, todos se encontram, e eu extasiado não tenho do que reclamar!
(1) Uma quipá (em hebraico כיפה, kipá, “cobertura”) é o chapéu, boina, touca ou outra peça de vestuário utilizada pelos judeus tanto como símbolo da religião como símbolo de temor a Deus.

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