
O mérito de uma pessoa é medido pelo seu grau de ocupação, se está sempre ocupada, indisponível, é alguém importante. Quando a sua agenda está cheia ela pode se encher de orgulho.
“Não tenho tempo para nada!” confere um ar de virtuosidade a um vivente, soa como um alívio, ainda que a falta de descanso o esteja levando à loucura.
Ser chamado de desocupado corre o risco de entender-se vagabundo, inútil, irrelevante, imprestável. “A mente vazia é a oficina do diabo!” Quem não sabe disso?!
“A preguiça deforma o caráter”, “Deus ajuda a quem cedo madruga”, “Trabalho nunca matou ninguém”, “Se tive de pedir alguma coisa, peça para alguém ocupado”.
A despeito da impossibilidade de um ser humano estar vivo não fazendo nada, no mínimo estará pensando, refutamos a ideia do ócio. A ideia de vazio se tornou um pesadelo existencial, ainda que o vazio possa ser o lugar onde caiba alguma coisa não malévola.
“Estar cansado, exausto, sobrecarregado” tornou-se politicamente correto, nos agrada cada dia mais pensar que não temos tempo sequer de “pensar”, que cada segundo das nossas vidas já se encontra predestinado.
Deve ser bobagem de uma cabeça desocupada, mas às vezes penso que quanto mais ocupado estou menos culpado me sinto. Quem se ocupa se livra da culpa! Será mesmo?

