poema

Deslocado

Publicado em 17 de março de 2019, por Jan Parellada
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Gosto de comida fria,
de hálito quente,
de rosas negras,
do que não existe.
Gosto de becos,
de despenhadeiros,
de fotos desbotadas,
de discutir relações.
Gosto de sombras,
da solidão noturna,
de dias cinzentos,
de manhãs geladas.
Gosto de passar fome,
de desafiar a sede,
de pensar no banheiro,
e dormir no sofá.
Gosto de esconderijos,
de identidades falsas,
de olhares anônimos,
de almoçar tarde.
Gosto de contradizer,
de fugir do sorriso,
de dançar sozinho,
de me arrepender.
Gosto da Idade Média,
de filósofos poloneses,
de atores gregos,
de anjos caídos.
Gosto de poluição,
do cheiro do Tietê,
de gente maluca,
do centro de Sampa.
Gosto de divagações,
de interromper leituras,
de fazer provas,
do vilão do filme.
Nasci um segundo,
antes do Big Bang,
morrerei um minuto,
depois do apocalipse.

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