
Um dia, quando o ócio se tornou possível, te disseram que você deveria andar rápido.
Você tinha mais tempo do que nunca para pensar, mas não pensou duas vezes para decidir que a vida não podia esperar um minuto.
Na velocidade da luz, você trocou seu álbum de fotos pela tela do celular. Num piscar de olhos, você trocou o som preguiçoso das palavras pelas batidas frenéticas dos seus polegares numa tela menor que a palma da sua mão.
Sua existência se tornou um banquete de informações que você tenta devorar em milissegundos.
Estranhamente, assim como eu, você parece satisfeito como se fosse de fato poderoso e dono da sua vida.
Se eu mesmo acredito que a ignorância se tornou facultativa depois da invenção do Google e das redes sociais … porque teria o direito de questionar o seu kkk … o seu Lindo … as suas curtidas … os seus milhares de amigos virtuais?
Se eu também me apaixonei pela Internet porque indagar a sua razão de viver de tela em tela?
Afinal um site não é um lugar como outro qualquer do mundo, onde habitam imagens, sons e ideais?
No meu cinismo questiono você com a prepotência de quem tem as respostas.
Não tenho!
Só bateu uma nostalgia quando ouvi Tom Jobim,
na World Wide Web.
Uma vontade cínica, insensata e tirana de parar o mundo e decretar que todos deveriam desligar os seus computadores e celulares por um dia.
Um delírio de que por algumas horas a nossa interface fosse uma troca ao vivo de olhares.
Face a face.

