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Quem tem medo de Jair Bolsonaro?

Publicado em 31 de agosto de 2018, por Jan Parellada
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Os mesmos talvez que tenham medo de Virginia Woolf (*), uma mulher autônoma,  escritora célebre, sarcástica e frágil diante de suas próprias percepções do mundo. Woolf sucumbiu a crises depressivas e suicidou-se em 1941, o que não diminui em nada a sua importância como pensadora do mundo moderno.

Virginia Woolf  disse: “A guerra é uma expressão  do instinto sexual masculino”, eu concordo e acrescento: “onde a pólvora é proporcional a testosterona”.

Paralelo entre os dois, talvez  a sinceridade amarga da escritora “feminista” inglesa e a franqueza  ríspida do candidato “machista” à presidência do Brasil, ambos são  honestos na exposição de suas convicções, o que os torna interessantes, originais, politicamente incorretos, indigestos para uns, mito para outros. No fundo, creio eu,  são dois seres humanos ambíguos, tão contraditórios ou coerentes como qualquer um de nós.

Os dois são bons exemplos de indivíduos antímidia, escancaram o idealismo que habita inexorável o Ego, jogando contra o “stablishment” sem conseguir fugir dele. Ninguém escapa do sistema, seja ele qual for. Parodiando um ditado:“Não é você que muda o sistema, é o sistema que muda você”.

O que assusta em Bolsonaro é sua incômoda habilidade de colecionar declarações infames a respeito de sexualidade, combate à violência, além de seu ódio absoluto a partidos políticos de esquerda. O que fascina é a sua autenticidade, a sua capacidade de improviso,  o seu misto de argumentações de prepotência, a de ser o único candidato que significa mudança, com outras de humildade, como admitir que não tem experiência em cargos executivos e dependerá muito de seus assessores para governar. Ele também admite erros e pede desculpas pelos erros e grosserias que comete(u), o que não é corriqueiro em candidatos a cargos políticos, todos invariavelmente ilibados “salvadores da pátria”.

Não sei ainda em quem vou votar em outubro próximo, mas Jair Bolsonaro não me assusta mais, deixou de ser o Bicho-papão da corrida eleitoral, a sua plataforma liberal é basicamente a mesma de João Amoêdo, os dois são “outsiders” desafiando o “stablishment”,  o primeiro é um capitão da reserva e o segundo é um banqueiro, o que por si só não indica quem é o “vilão” e quem é o “mocinho” do filme. Bolsonaro invoca a pátria, a família e a disciplina militar, Amôedo se apoia em sua “virgindade” política. Os dois tem “slogans” eficazes para o momento e currículos que os tornam credíveis em suas pregações.  Depois que Ciro Gomes afirmou que vai tirar todo mundo do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) , populismo desnecessário, Geraldo Alckmin se aliou a “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e Marina, uma candidata inteligente de biografia honesta, não mudou nada em seu discurso articulado e previsível das últimas campanhas,  minhas dúvidas cresceram em relação ao meu voto para presidente da república em 2018. Quem sabe o candidato do “Podemos”. Por enquanto, parece que ninguém tem medo de Álvaro Dias!

 

Jan L.L.Parellada

 

(*) Quem Tem Medo de Virginia Woolf ? é um filme estadunidense de 1966, do gênero drama, protagonizado por Richard Burton e Elizabeth Taylor, dirigido por Mike Nichols e baseado na peça teatral homônima de Edward Albee.

 

 

 

 

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