poema

Depois dos 50

Publicado em 25 de setembro de 2018, por Jan Parellada
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Enxergam-se rugas ,
que o espelho impiedoso,
maldosamente multiplica.

Brotam todos os dias,
mais cabelos brancos
do que se possa aceitar.

Os músculos traem,
as dores se acomodam,
A finitude incomoda.

Minguam os hormônios,
desaparecem certezas,
restam convicções.

Se há dinheiro,
compra-se juventude ,
viagens e carros novos.

Se há sabedoria,
compartilha-se,
com poucos ouvintes.

A memória é traiçoeira,
os reflexos menores,
as ilusões mais modestas.

O dia é ligeiro,
as soluções breves,
o cinismo natural.

Os filhos se casam,
a casa é reformada,
o corpo também.

A nostalgia é prazerosa
A idade se impõe,
O idealista cede.

Os sonhos caminham,
a realidade corre,
os dias voam.

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