
A melhor forma de evitar ditaduras é fazer com que democracias funcionem, não é o que está acontecendo no Brasil e em outros países que ainda não foram capazes de compreender que numa democracia não se pode tudo, não é tudo permitido, não é tudo de graça, existem direitos e deveres.
Como tudo na vida, democracia tem limites e regras que devem ser respeitadas. Para que ela funcione é necessário que haja cidadãos responsáveis, gente que não sobreviva dizendo que a culpa é de terceiros, de outra pessoa física ou jurídica. É preciso ouvir mais vezes: “É comigo mesmo!” ; “´É aqui mesmo!”.
Por algum mistério insolúvel, no Brasil os direitos são sempre particulares e as obrigações inevitavelmente sociais. Feito uma velha piada que conheço, em que de súbito palavras se transmutam: se for para pagar “Salim saíu” , se for para receber “Salim sou eu”. Essa conta nunca dá certo.
Numa democracia a justiça e a polícia tem que ser eficazes, sob o risco do castelo de cartas desmoronar. Justiça pelas próprias mãos é coisa dos tempos de antanho, do Código de Hamurabi , da Lei do Talião. Se for “olho por olho e dente por dente” acabaremos todos cegos e banguelos.
Para que a democracia não vire uma “democria”, uma criação do demônio, não é preciso ser um anjo, e sim votar com a consciência de que milagres não acontecem na política. Políticos não são santos nem belzebus, são seres humanos passíveis de se corromper ou até errar de boa fé. São criaturas falíveis que, assim como nós, deveríamos prometer menos e nos comprometer mais.
O caminho são as urnas, não existe democracia sem eleições diretas dos seus representantes, e não existe político imune a “impeachment”. Onde está escrito que eu não posso fiscalizar os candidatos que foram eleitos? Qual é a lei que me obriga a engolir políticos corruptos e/ou ineptos por 4 anos?
Voto é começo de relação, não final.

