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Humor apócrifo

Publicado em 18 de agosto de 2018, por Jan Parellada
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Historicamente, o melhor do bom humor vem de origem anônima. Quem é o autor das piadas?

Há piadas célebres de autores nacionais como Ari Toledo (Joãozinho e a Professora) e Juca Chaves (Quem mandou castrar o gatinho?), e humor estrangeiro como o de Groucho Marx, que disse que jamais faria parte de um clube que o aceitasse como sócio, mas em geral, as pérolas do cotidiano e as anedotas clássicas são apócrifos, ninguém sabe quem é o autor. Elas foram passando de boca a boca , tela a tela, até chegarem aos nossos ouvidos e olhos.

Eu diria que uma das explicações estaria em tempos remotos, como a Idade Média, onde o humor era visto como coisa do diabo, o termo sátira deriva de Satã, ou seja, um deboche corria o risco de ser entendido como uma blasfêmia e o autor acabar numa fogueira da Inquisição.

Os tempos mudaram mas certos hábitos resistem, seja por medo, respeito ou desejo de privacidade, o fato é que um  ilustre desconhecido, em pleno dia santo, cria uma piada herege, outro  a aumenta , todos riem e ninguém é excomungado. A autoria das piadas, gracejos e “memes” acaba sendo atribuída a irreverência e ao senso de humor coletivo.

O risco de acabar morto por conta de uma piada ser interpretada como ofensa existe até os dias atuais, bom exemplo é o atentado terrorista contra o contra o jornal francês Charlie Hebdo, um caso emblemático onde humoristas foram executados por uma interpretação religiosa.

No mundo contemporâneo não é essa a regra, esse é um caso isolado, existe mais liberdade do que em qualquer outra época para ironizar a vida e os costumes alheios, ainda assim, a maioria dos debochados opta pelo anonimato.

Diferente dos atos honrosos e de amor ao próximo, cuja autoria é assumida sem maiores pudores pelos seus protagonistas, piadas ácidas se espalham apócrifas, como se os seus autores ainda se sentissem culpados e estranhamente orgulhosos por alguma heresia.

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