
Alguém,
um dia lhe falou,
que você era refém,
do que ela profetizou.
Parem todos, parem tudo,
a crise foi decretada,
fique cego, surdo e mudo,
não se pode fazer nada.
A culpa é de João,
a culpa é de José,
um não tem razão,
o outro não tem fé.
A culpa é do vizinho,
a culpa é do funcionário,
um gosta de vinho,
o outro de salário.
Se hoje está ruim,
amanhã estará pior,
a desgraça não tem fim,
tudo gira ao seu redor.
Eu não acredito em ti,
Tu também me desacreditas,
Lá, cá, além, ali,
as pessoas estão aflitas,
“Não vês o furacão,
a terra estéril,
a peste que se espalha”.
“Não vês a danação,
o pecado inútil,
daquele que aqui trabalha”.
Um desavisado observa:
Há terra a se plantar.
Há frutos a se colher,
Há gente para trabalhar,
Há roupas a se coser,
Há o solo a minerar,
Há prédios a se erguer,
Há mentes para inventar,
Há tudo por se fazer.
Homem tolo,
nunca aprende,
que crise é dogma,
que não se ofende.
Homem ingênuo,
Não vê o óbvio,
que está bêbado,
porque está sóbrio.

