crônica

Obsessão e Compulsão

Publicado em 22 de agosto de 2018, por Jan Parellada
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Obsessão é quando você não para de pensar naquela barra de chocolate, compulsão é quando ela já está dentro da sua boca.

Nenhum dos dois fenômenos é voluntário, ninguém escolhe ser um obcecado ou um compulsivo.

Nem sempre estar obcecado é algo melancólico, nem sempre uma compulsão é um ato moral condenável.

Lavar as mãos cem vezes por dia não é pecado, assaltar a geladeira à noite não é crime, conferir se todas as portas estão trancadas não é proibido.

É tudo sim obsessão traduzida em compulsão, e pode sim atrapalhar a sua vida em maior ou menor grau.

Depende de qualidade da sua obsessão e da quantidade da sua compulsão, se você tem uma Síndrome de Tourette, xinga sem controle e sem motivo, você tem um problema, se não consegue sair de casa por lavar as mãos sem parar, também.

Tem gente, como eu, que tem compulsão por usar as mãos. Quando não estou escrevendo, comendo ou lendo um livro, costumo brincar com elásticos, enrolar fio dental nos dedos, desmontar clips e amassar bolinhas de papel, o que não atrapalha em nada a minha felicidade, nem a dos outros. Exceto a da minha esposa, que aproveita-se dos meus descuidos, e na primeira oportunidade furta-me o fio dental e as bolinhas de papel e as joga no lixo. Sem mágoas, vivemos bem assim há décadas, cada um com a sua mania

Logo, nem todo o fenômeno obsessivo compulsivo é uma condenação à privação e ao sofrimento.

Não se condene tanto por roer as unhas, tamborilar com os dedos na mesa ou pela perna que trêmula inquieta, por algum lugar a sua ansiedade, os seus desejos, sairão.

Melhor que seja por atos inocentes de que por intolerâncias assassinas.

 

 

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