
Do que adianta
ser um deus diante
do mundo,
e ninguém
diante de si próprio.
Do que adianta
ser um gigante
perante a multidão,
sendo um anão
perante aquele
que dorme
ao seu lado.
Do que adianta
produzir um dilúvio,
se morres de sede
porque teu corpo
não entende
sequer a água.
Do que vale brilhar
sob os holofotes,
do show,
do business,
da mídia,
entristecendo-se
com a imagem
que reflete moribunda
defronte ao espelho.
Do que serve
a mais eloquente
das sabedorias,
se você
não conseguiu
educar
os teus
poucos filhos.
O que significavam
palcos
e aplausos
intermináveis,
se as tuas
próprias mãos
estão atadas
pela escravidão
da fama.
O quanto vale
o teu patrimônio,
a tua fortuna,
as tuas jóias
da coroa,
se o menino
que brinca nu
no regato
é mais do feliz
do que és,
do que
jamais fostes.

