
O conflito não é necessariamente um estado patológico, os algoritmos da incerteza colidem mas não eliminam os algoritmos das convicções, eles interagem como tudo mais que existe sobre a terra.
Matar uma pessoa é muito mais simples do que entrar em conflito com ela, é o caso de soldados numa guerra, que sequer se conhecem, sendo apenas inimigos bem definidos. Discutir é mais complexo do que puxar um gatilho, argumentar exige mais do que desferir uma facada num desafeto.
A experiência humana demonstra todos os dias que não é preciso concordar com alguém para respeitá-lo, obedecê-lo e até amá-lo. O alvo do seu ódio não é sempre aquele que você odeia, o seu carinho nem sempre é destinado aos que você ama.Cordiais inimigos tem na maioria das vezes muitas coisas em comum, o habitat, a necessidade de sobrevivência, de poder, de conquistar um bom lugar na pirâmide social, de obter atenção e ser amado pelo grupo, em especial aquele chamado Família.
Que o digam os terapêutas, a estrutura da família é algo muito bonito porém sua dinâmica é extremamente complexa. As figuras do pai, mãe, filhos, irmãos, tios e primos rendem excelentes fotos para o álbum de retratos, assim com seu funcionamento rende ótimos romances melodramáticos. O organograma da família é bem mais trivial do que o seu fluxograma.
Ainda que não seja evidente, as pessoas que você mais ama são aquelas com as quais se conflitará com mais frequência e intensidade, e isso não é obrigatoriamente um ato de violência, um mal a ser evitado, uma maldição, conflitos entre familiares fazem parte do aprendizado cotidiano que compõe o nosso “Diário de Sobrevivência”.

