
O erro mais comum do ser humano é não distinguir o que é comportamento do que é sentimento.
O sentimento é um fenômeno inevitável.
O comportamento é um manifestação passível de controle.
O sentimento ocorre “in natura”.
O comportamento pode ser alterado “in vitro”.
Ninguém nasce civilizado, sabendo como se comportar numa sociedade sofisticada.
Os sentimentos que habitavam o “espírito” dos homens das cavernas não se alteraram, e convivem em pleno século 21, com o comportamento sofisticadíssimo de seres humanos que carregam computadores nos bolsos.
A civilidade é um processo de aprendizado pela educação.
Não é possível evitar a ira, a vaidade, a cobiça, a gula e o amor. Eles acontecem a despeito da sua vontade.
Não há nada de errado com isso, ninguém é culpado de sentir.
Como a culpa é um mal necessário, inventamos a culpa de agir: as leis. Você não é punido porque sente ódio, e sim porque agride e mata o seu próximo.
Esse é um conflito muito complexo, pouco entendido pela grande maioria de nós, e que nos cobra um preço significativo. A educação foi inventada para administrar o alto custo emocional das renúncias cotidianas da vida civilizada. Não é tão fácil abdicar aos seus instintos de sobrevivência quanto parece. A sensação de naturalidade frente à submissão às inúmeras regras de comportamento seguidas na nossa rotina diária, só é possível porque somos educados a elas desde a mais primeira infância.
A educação é um processo artificial, criado, nominado e desenvolvido pelo ser humano para controlar os ímpetos de nascença, que a princípio não são bons, nem ruins, nem certos, nem errados. Os conceitos da moralidade e ética são adquiridos dentro de um processo educativo, humano e artificial.
A Natureza não tem conceitos morais, e por isso não faz sentido culpá-la por calamidades como terremotos, secas, inundações e uma infinidade de doenças. Cabe a nós cuidarmos uns dos outros, descobrir soluções, inventar o progresso tecnológico e social.
Terceirizar culpas e méritos é muito frequente e tentador. Infelizmente, responsabilizar o próximo, o vizinho, o estrangeiro, a natureza e Deus pelas nossos infortúnios e conquistas não está nos garantindo o pleno êxito como espécie. A questão se apresenta muito mais desafiadora do que poderíamos supor a 100 anos atrás.
Para a nossa sorte ou azar, não nos contentamos com o mero sobreviver, queremos cada dia mais sofisticar os nossos hábitos e costumes.
Queremos tecnologia de ponta e eterna evolução social sem abrir mão de ser simplistas, modestos e tementes às forças maiores da Natureza. Queremos redenção na superestrutura das metrópoles. Alimentamos naturalmente esse desejo artificial para tornar compreensível a nossa ansiedade, suportável a nossa angústia, e legítimas a nossa esperança e fé.
Mas esses sentimentos tão verdadeiros quanto inevitáveis não estão sendo capazes, por si sós, de alterar qualitativamente o nosso comportamento moral e ético como seres humanos.
Que tal fazermos uma “forcinha” para entender o que somos? Para vislumbrar que carregamos todo o tipo de sentimentos , sejam “perversos” ou “virtuosos”.
Amadurecer é um processo difícil que está sob a nossa tutela, não de terceiros. Deus pode ser uma referência para os seus filhos, mas é você o responsável por educá-los.
O ser humano é um indivíduo social , uma pessoa única convivendo com muitas outras,tendendo progressivamente à dependência do todo. Hoje, um único homem é capaz de destruir o planeta apertando um botão.
Não se enganem com tresloucados como Donald Trump e Kim Jon Un, um mundo que caminha inexorável para se transformar numa aldeia global exige um grau de educação, civilidade e cidadania que poucos países estão alcançando.
Bons exemplos são os Países Nórdicos , o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia.
Esses países, notoriamente, compreenderam melhor a essência humana, ao mesmo tempo agressiva e colaborativa, e adotaram uma educação diferenciada democratizando conhecimentos, atribuindo direitos e deveres razoáveis aos seus cidadãos.
Essas nações estão obtendo ótimos resultados na titânica tarefa de fazer com que seres humanos convivam pacificamente, dando-se ao luxo de trabalhar em harmonia pelo coletivo, sem aniquilar direitos individuais.
Não é uma tarefa banal, até a metade do século 20, o mundo era um sem fim de ditaduras vivendo em estado de guerra. Antes de maldiçoar a realidade pense um pouco, reflita melhor:
Por que tanto pessimismo? Por que sobrevalorizar catástrofes? Por que a necessidade de vencedores e perdedores? Por que desistir agora?

