Do Alto do Sinai às Ruínas de Pompéia

Capítulo 3 – Os Incríveis Jardins Irrigados de Tel-Aviv

Publicado em 7 de julho de 2019, por Jan Parellada
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Mais uma mensagem de amigos perguntando, ou pior, afirmando que a viagem que estamos fazendo é perigosa. Perigoso é o mundo inteiro, como já disse um filósofo “Viver é Perigoso”. Quando se está no Oriente Médio essa frase pode ser levada mais à sério, o que não nos intimida, nem eu, nem a minha infalível parceira de aventuras, a enfrentar todas as barreiras de segurança para realizarmos o sonho de conhecer o maior número de lugares do mundo que for possível. Enquanto houver saúde e soldo haverá vida e viagens, vivendo no Brasil a questão do soldo torna-se cada vez mais complicada, pensando bem a questão da vida também. É mais seguro viver no Oriente Médio do que no Brasil, acreditem!
A caminho do hotel em Tel-Aviv já é possível perceber que trata-se de uma metrópole moderna e bem resolvida. O trânsito é intenso mas flui em boa velocidade e de forma organizada. Depois de enfrentar o caótico trânsito do Cairo, é óbvio que as disciplinadas avenidas da capital de Israel nos chamem tanto a atenção.
Tel-Aviv não é uma cidade histórica porque ainda é muito jovem, me fascina pensar o quão próximo estamos da histórica Jerusalém,as duas metrópoles estão separadas por mais de 2000 anos de história e menos de 80 quilômetros de distância. Jerusalém será a nossa estadia mais extensa em toda a viagem, mas até por esse motivo, só a visitaremos após conhecer a surpreendente Jordânia. Na verdade, nesse momento, só há expectativas quantos as maravilhas arqueológicas que nos esperam no país vizinho.
Algo nos frustra positivamente em Israel, cadê a super vigilância anti-terrorismo que encontramos no Egito, será que eles são tão confiantes em seus sistemas de segurança num território em conflito com vizinhos em tempos intermináveis. São sim, Israel possui o melhor serviço secreto do mundo, o MOSSAD, o maior é a CIA, mas as operações do MOSSAD, independente de qualquer juízo de valor, são planejadas milimetricamente e quase sempre certeiras. O exército de Israel é composto de todos os seus cidadãos, homens e mulheres são igualmente treinados para a guerra, qualquer um deles pode ser chamado a qualquer momento para a frente de batalha.
Mas falemos de flores, elas são lindas e abundantes nos jardins irrigados de Tel-Aviv, neles há rosas de todos tamanhos e cores, a água para alimentá-las vem do rio Jordão e da dessalinização das águas do Mediterrâneo. O milagre da multiplicação do verde multicolorido sobre o solo de Israel acontece graças a um intricado e eficaz sistema de irrigação que se espalha por todo o seu subsolo.
A partir de Israel, a nossa viagem será compartilhada com um grupo de amigos, a maioria deles já trilhou conosco os caminhos da Ásia, ano passado, dos templos magníficos de Bangkok à espartana megametrópole Tóquio. O grupo reúne-se à noite no saguão do hotel, grandes emoções, abraços e beijos, antes de procurar um lugar agradável para jantar.
O concierge do hotel nos indica um lugar bem próximo, a poucas quadras de lá, andamos uns 200 metros, viramos uma esquina e surpresa: em meio aos prédios da cidade damos de cara com uma praça de alimentação à céu aberto. Lá encontra-se instalado um palco com músicos entoando melodias clássicas, inclusive do nosso brasileiríssimo Tom Jobim. Ouvi mais Tom Jobim durante a nossa viagem, do que em todo os 11 meses de véspera em plena “Terra brasilis”. Sem dúvida eles sabem apreciar o que é brasileiro e bom, melhor do que nós.
O que se pode comer em Israel? Só comida preparada nas regras da cozinha “kosher”?
Absolutamente não, há de fato restaurantes com certificados “kosher”, neles existem algumas regras interessantes, como: não consumir leite e carne ao mesmo tempo, ou ainda, a permissão para alimentar-se somente de peixes com escamas e barbatanas. Onde estamos pode-se encontrar restaurantes “kosher” , “não kosher” e “mais ou menos kosher”, neste último os judeus possuem uma rara habilidade para atender os dois públicos de forma igualmente respeitosa e satisfatória.
A decoração do local é interessante e peculiar, um monte de guarda-chuvas coloridos pendurados em fios de arame, acima alguns metros de nossas cabeças. Me lembro que já vi uma decoração igual em 2016 durante uma estadia em Recife. É lindo de qualquer jeito!
Atendentes de restaurante são gentis no Brasil, não são gentis na Europa, e em Israel eles são de uma eficácia nunca vista, os pedidos são atendidos de imediato, num piscar de olhos todos os pratos estão servidos, tudo certo, tudo rápido, tudo a contento. Ao final da noite, ótima comida, ótima música, ótima impressão, os atendentes nos trazem a conta em hebraico. Sem problema, eles traduzem e calculam a conta de cada um de nós individualmente.
Shalom, Israel.

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