Do Alto do Sinai às Ruínas de Pompéia

Capítulo 4 – Um Coração de Pedra Que Pulsa

Publicado em 7 de julho de 2019, por Jan Parellada
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Atravessar a fronteira entre Israel e a Jordânia é uma experiência peculiar, as relações são pacíficas entre os dois países, mas não é possível entrar na Jordânia com um carimbo de passagem por Israel no passaporte.
Óbvio que as duas partes sabem o que está acontecendo, mas a travessia deve obedecer certas peculiaridades, a primeira é entrar e sair de Israel por meio de etiquetas eletrônicas, nada de carimbo no passaporte, e na saída para a Jordânia percorrer, num ônibus utilizado somente para isso, um trecho de cerca de 150 metros entre os postos alfandegários que separam os dois países.
20 Shequell(s), moeda de Israel, é o preço da breve travessia, valor que é pago diretamente ao motorista do ônibus, que, se entendi direito, é um palestino dirigindo um veículo jordaniano. De fato, o dinheiro é uma linguagem universal que atravessa fronteiras e independe de convicções político-partidário-religiosas. Melhor assim, acreditem!
Uma vez na Jordânia, Abdul, nosso guia deste lado da fronteira, nos recebe de forma solícita e cordial. Comunicando-se conosco através de um bom “Portunhol”, ele será extremamente prestativo durante toda a nossa estadia na Jordânia até o retorno a Israel.
O nosso primeiro destino é a modernosa cidade de Aman, capital do país, metrópole em pleno desenvolvimento, onde nos aguarda o hotel mais confortável de toda viagem. As águas tépidas da piscina coberta, as deliciosas duchas massageantes e o divãs aquecidos do “solarium” ainda habitam as minha memórias.
A grande atração da Jordânia é a cidade arqueológica de Petra, uma das sete maravilhas do mundo moderno, patrimônio cultural da humanidade. De qualquer forma, os dois dias em Aman valem a pena.
O país é governado com sabedoria e equilíbrio há décadas pela dinastia Hussein, nada a ver com Sadam Hussein, coisa pra lá de Bagdá. A pacífica e hábil família Hussein é responsável por uma engenharia geopolítica capaz de preservar a paz e garantir a prosperidade de uma nação encravada num barril de pólvora. De um lado, a desafeta Israel, de outros países árabes em sérios conflitos como a Síria e o Iraque. “valha-me Deus!”.
Numa suntuosa loja de artesanatos e souvenires encontramos uma brasileira, que é convocada de imediato para nos atender. Trajada com roupas sóbrias que cobrem todo o corpo, com o tradicional “shador” na cabeça, ela nos revela que chegou há dez anos, casou-se com um jordaniano, e que está muito feliz.
A exemplo de tantos outros países que se espalham pelos cinco continentes, o turismo é a principal fonte de renda da Jordânia, que ao contrário do que parece, não dispõe de uma única gota de petróleo. Seguido do turismo, a mineração também é uma importante fonte de renda, em especial matérias-primas utilizadas para a fabricação de cimento.
O rei Abdullah é o atual governante desta terra abençoada pela paz e prosperidade, nas diversas imagens dele junto com a sua família, ele é retratado como um homem belo e refinado que se veste com ternos elegantes, a sua esposa e filhos também causam uma ótima impressão.
A grande expectativa é a lendária Petra, local mítico onde nove entre cada dez estrelas das passarelas da moda mundial já fotografaram e desfilaram.
Muito justo, o cenário justifica tal preferência, Petra é um coração pulsante de pedra que encanta todos aqueles que percorrem os seus gigantescos despenhadeiros. Benditos os nabateus, povo que no auge da sua glória transformou rochas em emoção.
Petra é beleza estonteante para todos os lados que se olhe, num trajeto que só pode ser feito à pé, de burrico, camelo ou carruagem. O seu cartão postal é chamado de “O Tesouro de Al- Khazneh”, sim, essa é aquela fotografia de um esplêndido templo esculpido numa rocha, do qual todos se lembram quando se pronúncia a palavra mágica “Petra”.
E mais uma vez sim, em Petra há muitas outros monumentos deslumbrantes além do “Tesouro de Al- Khazneh”, como o “Altar dos Sacrifícios”, a “Rua das Fachadas” e o “Teatro de Petra”, deslumbrante tributo a arte entalhado para o deleite cultural de mais de três mil espectadores.
Separo-me do grupo por cerca de duas horas, sou o único que atreve-se a subir os 800 degraus até o “Mosteiro de Petra”, compreensível, trata-se de uma escadaria íngreme que rodeia uma montanha, sinto-me como se estivesse à procura de um lugar onde nunca se chega.
“É aqui?”- pergunto a um dos inúmeros vendedores locais. “Não, é mais adiante” – respondem mais uma vez.
Por fim, no topo, todo o meu esforço vale a pena, não só o mosteiro é magnífico como ainda resta, uma centena de degraus acima, um mirante pouco falado mas que faz jus a uma placa escrita à mão no começo desta ousadia, nela está escrito: “ Adiante, a paisagem mais linda do mundo”. É ver para crer!
“Divina Petra, impossível não ficar boquiaberto diante de tua beleza, impensável morrer antes de contemplar a tua infinita grandeza!

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