poema

Por Ser Conveniente

Publicado em 10 de setembro de 2019, por Jan Parellada
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Por ser conveniente

mudo o passado

todos os dias,

ora acrescento,

ora subtraio verdades.

Por ser conveniente,

condeno o futuro,

prevejo o apocalipse,

salgo a terra.

Por ser conveniente,

concedo o falso perdão,

arrasto correntes de plumas,

minto, difamo,

acabo com reputações.

Por ser conveniente,

crio e destruo

com o mesmo prazer,

os mesmos argumentos,

a mesma naturalidade.

Por ser conveniente,

compro e vendo almas,

bondosas ou cruéis

pouco importa,

há mercado para todas,

déspota, indiferente ou liberal

sou escravo do que escrevo,

é só, uma questão de conveniência.

 

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