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Conflito Básico

Publicado em 8 de outubro de 2019, por Jan Parellada
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Todos nascemos com um conflito básico, duas instruções do nosso DNA que se contradizem, se opõem.

A primeira dita que devemos defender o nosso grupo, a nossa linhagem, a segunda indica que quanto mais miscigenação com outros clãs, mais forte serão os nossos descendentes.

Não é uma questão cultural, é uma questão biológica, está escrito em nossos genes, não só nos do “Homo sapiens”, mas também das espécies de animais desenvolvidos, leões e ursos matam a ninhada de outros machos para impor a sua descendência.

Parece um paradoxo, e É! Temos um impulso “racista” e “integracionista”,  genes xenófobos e xenófilos convivendo paralelamente em nosso cariótipo. Não é culpa de A, nem de B, muito menos de C.

É a Natureza quem nos propõe tal desafio, no qual, ao contrário do que muitos pensam, estamos sendo bem sucedidos, graças a evolução tecnológica e social nunca fomos tão numerosos e miscigenados como no século 21.

A população humana era de 600 milhões de pessoas há 2.000 anos atrás, e no final da segunda década do terceiro milênio caminha rápido para 8 bilhões de indivíduos, que ostentam uma média de tempo de sobrevivência crescente.

Após interminável  “Estado de Guerra” , iniciado nos tempos das cavernas, prevalece a “Opção pela Paz” desde o fim da Segunda Grande Guerra. A bomba atômica e a diplomacia contribuíram para que as disputas mudam-se dos campos de batalha para as telas da mídia, o que inclui as redes sociais da Internet.

Mais do que pelo politicamente correto, a miscigenação é favorecida pela Natureza porque os genes deletérios, aqueles que nos causam graves doenças,  são em regra recessivos e  tendem a desaparecer numa grande mistura racial.

No sentido contrário, é inegável o resquício “bairrista”, “separatista”, do qual ora nos orgulhamos, ora nos envergonhamos.

Deveríamos entendê-lo para evitar maiores constrangimentos e superar odiosos preconceitos inatos, mas preferimos negá-los à exaustão.

Por mais que se negue, a nossa empatia costuma ser seletiva. Adoramos cães e os criamos muitas vezes feito filhos, mas você faria o mesmo por uma barata? A explicação é simples, nossos genes estão programados para amar formas de semelhantes a nossa, quase sempre mamíferos. Há quem ame borboletas, mas trata-se de exceção e não de regra.

No longa metragem “Tropas Estelares” do diretor holandês Paul Verhoeven, os inimigos são, não por acaso, repugnantes insetos que nos atacam impiedosamente.  Você jamais assistirá um filme onde ursos pandas ameacem seres humanos. Eles são fofinhos demais para isso!

Mais do que conviver em harmonia, precisaríamos  aprender a conviver com o nosso estado natural, o conflito, antes que a lógica inverta-se, e em nome de paixões desarrazoadas provoquemos a extinção da nossa própria espécie.

 

 

 

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