poema

O Pavão Envergonhado

Publicado em 26 de setembro de 2018, por Jan Parellada
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O segredo
do recém- nascido,
é a ausência
da vergonha,
se envergonhado fosse,
morreria de fome,
de virose,
ou negligência.

Desconhecendo a vergonha,
bebês
não pedem,
exigem,
cuidados.

Crianças,
escancaram o choro
da gula,
espremem os olhos
de dor,
esbanjam
formas redondas
atraindo
à legítima atenção.

Na adolescência,
somos
machos alfa,
fêmeas gama,
competitivos,
confusos,
ainda
autênticos.

Adultos sobreviventes,
exibimos modéstia,
raramente humildes,
somos educados,
recalcados prepotentes.

Condenamos a ganância,
negamos a inveja,
ocultamos a ira,
desprezamos a preguiça,
como se humanos,
não fossemos.

A vaidade
é dissimulada,
a verdade,
suprimida,
a diferença,
aniquilada.

Nos tornamos,
o que se espera de nós,
orgulhosos da renúncia,
destemidos covardes,
primatas de terno,
pavões envergonhados.

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