
Ser adulto não é algo que se é, é algo que se finge, mais do que um desejo, tornar-se um adulto é uma necessidade. A ninguém é dado escolher se crescerá ou não, o envelhecimento é item obrigatório na mala de viagens da vida.
A criança tem fascínio pela vida adulta porque só é capaz de enxergar a independência, que viria a partir de então, quando for tarde demais , o adulto quer voltar a ser criança porque já conhece o alto preço da liberdade tão desejada, e já esqueceu-se das limitações da fase infantil.
Enfim, ninguém está satisfeito com a própria idade porque liberdade e responsabilidade são duas entidades de difícil convivência.
Seria muito estranho se não fosse assim, é o eterno conflito entre a infância, adolescência, a meia-idade e a velhice que guia todos os passos fundamentais do indivíduo e da humanidade.
Observe-se que crianças não contam piadas, elas são um fenômeno da vida adulta, e que também não existem piadas ridicularizando a infância, porque não teriam graça, há crianças personagens de piadas, o que é absolutamente outra coisa.
Adultos inventam piadas para entender e suportar melhor os inexoráveis absurdos com os quais conviverá durante toda a sua existência. Não há por onde escapar, nem como explicar de forma convincente, quais as vantagens da vida adulta para um adulto. Na maioria das vezes ele terá que esforçar-se muito além do que imaginava para obter o que imaginou que seria a vida adulta.
Certa vez alguém me disse, e não era uma psicóloga, era uma nutricionista, que tudo que fazemos é uma tentativa de resgatar a infância, o colo materno, o centro das atenções. Uma afirmação sábia que o passar dos anos só me faz confirmar.

