Do Alto do Sinai às Ruínas de Pompéia

Capítulo 5 – Dançando Sobre as Águas da Galileia

Publicado em 7 de julho de 2019, por Jan Parellada
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O capitão hasteia a bandeira do Brasil em pleno Mar da Galileia, todos nos levantamos quando os primeiros acordes do hino nacional fazem-se ouvir nos alto-falantes da embarcação. Somos dezoito brasileiros, um casal de suíços, mais a tripulação do barco navegando em águas sagradas.
Nenhum de nós pediu, ninguém nos avisou do hino nacional brasileiro com direito a hasteamento da bandeira, é tudo uma ótima surpresa, ao qual procuramos corresponder cantando da forma o mais afinada possível.
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas do Mar da Galileia, onde Jesus pescava com os seus apóstolos.
O hino nacional é sucedido por música brasileira, Jorge Benjor pede “mais que nada , sai da frente que eu quero passar”, Tom Jobim decreta “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”.
São quatro e meia da tarde em Israel, o céu é de um azul límpido e celeste, não faz calor, nem faz frio, a brisa que sopra sobre nós é muito agradável, o frescor das águas do Mar da Galileia aquecido pelo Sol despido de nuvens deixa tudo perfeito, quase um milagre.
Helena, a nossa guia nascida no Brasil e criada em Israel, nos convida para dançar a “Naguila Hava”, aceitamos de imediato , formamos uma grande roda de mãos dadas, nossos pés deslizam pelo convés em sintonia com a felicidade do momento.
Há poucos instantes conhecemos o aqueduto que abastecia a histórica Cesaréa, agora observamos a cidade desde o Mar da Galileia, erguida pelo rei Herodes em homenagem ao imperador e general romano Júlio César. “Ave César, ave Cesaréa”, monumento que cresce em beleza quando visto do mar.
Herodes, tirano empreendedor, construiu os maiores templos da sua época. Ele não era um judeu tradicional, na verdade Herodes era um edomita judeu romano cuja biografia está repleta de maldades pessoais e obras magníficas. O Templo de Herodes em Jerusalém é de uma grandiosidade inacreditável, mesmo tendo sido destruído em boa parte.
Aliás, viajando pelo mundo a gente descobre o quanto os principais monumentos da antiguidade foram destruídos e reconstruídos sucessivamente.
Naquela época não tinha UNESCO para salvar obras espetaculares em nome do patrimônio cultural da humanidade, hoje seria impensável saquear, pilhar e colocar abaixo o Coliseu de Roma, a Acrópolis de Atenas e os templos de Jerusalém, mas acreditem foi o que aconteceu nos tempos de antes e depois de Cristo!
O vandalismo ocorreu em grande escala inclusive durante as duas grandes guerras mundiais que marcaram o século 20 e transformaram a geopolítica terrestre num modelo de paz que vem preservando o que restou da antiguidade.
Uma civilização erguia templos, obeliscos, estátuas de suas divindades, que eram derrubados por seus sucessivos invasores, que obviamente edificavam os seus próprios monumentos sobre os seus domínios, muitas vezes utilizando o material resultante da demolição promovida século após século, até o fim da Segunda Grande Guerra Mundial.
Desde, então, estamos nos comportando bem e reconstruindo tesouros históricos inestimáveis. Quantas vezes fui impedido de conhecer por completo maravilhas arqueológicas porque elas encontravam-se em restauração?! Sacrifício que aceito de bom grado em nome de causa tão nobre e justa.
Terminado o passeio de barco, resta a última atração do dia, o Monte das Bem Aventuranças,
“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”
“Bem-aventurados os que viajam pelos quatro cantos do mundo, porque compreenderão melhor a si próprios, os seus próximos e saberão o quanto são valiosos o tempo e a vida” – acrescentaria eu!

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